25 de jul. de 2020

Entre o rádio e o MP3

Com a popularização dos gravadores cassete (K7, para os íntimos) e dos aparelhos 3x1 (três em um: toca-discos, gravador cassete e rádio no mesmo aparelho) nasceu a cultura das mix-tapes... e a pirataria musical em escala, provavelmente, mas não é sobre isso que eu quero falar.
Quem viveu os anos 80 (e até os anos 90), certamente sabia da malandragem de pedir música na rádio para gravar numa fitinha cassete e poder ouvir até a fita esgarçar. Só que nem todo mundo tinha acesso a um telefone nos anos 80 (era coisa de rico, custava o preço de um carro ou até mais!) e as vezes nem tinha "orelhão" por perto. Então o jeito era deixar a fita pronta no gravador com o "REC pausado" e esperar o momento exato em que a música começava para soltar a gravação. Inclusive era bem comum em alguns programas de rádio os locutores avisarem a hora de soltar o "pause"! Mas também não é sobre isso que eu quero falar.
No final dos anos 90, quando a Internet começou a "pegar" de verdade, sites de serviços surgiram e em alguns deles você conseguia ouvir música, como uma rádio só que via Internet. Não demorou apareceram sites que te deixavam montar a sua própria "programação"! Veja só...
Então, se eu podia escolher as músicas e a ordem, o que me impedia de ligar o gravador cassete no computador pra montar minhas mix-tapes sem depender de rádio ou arrumar disco emprestado? Nada e foi o que eu fiz.
Bom, na verdade tinha um "quase" impedimento: a velocidade da conexão. Na época a Internet chegava pela linha telefônica e na melhor das hipóteses a estonteantes 56kbps - isso kbps, não Mbps, mil vezes menos - e isso queria dizer que você até conseguiria ouvir suas músicas, mas as chances de parar no meio para carregar o restante eram muito... certas. O jeito era montar a playlist, fechar tudo e deixar aberto só o site da "rádio pessoal", dar o play, soltar o pause do gravador e cruzar os dedos. Ninguém toca nesse computador!
Na época eu tinha um glorioso gravador CCE CD-250 que eu usava para gravar minhas fitinhas, então foi só liga-lo na saída de som do computador. As fitinhas eu ouvia num walkman - assim, substantivo, em letras minúsculas, porque não era um Sony - Aiwa GS-122, que aliás era só isso mesmo, um toca-fitas, ele não tinha rádio e foi por isso mesmo que veio parar na minha mão, porque ninguém queria... A não ser eu, eu queria e muito. Depois de mais ou menos um ano eu juntei dinheiro suficiente para comprar um Aiwa TX-376 todo cheio dos frufrus com rádio digital e tal - é, daquele mesmo que dava pau nos controles, no display... Devia ter ficado com o GS-122 mesmo!
CCE CD-250, Aiwa GS-122 e Aiwa TX-376 (imagens da internet)
Usei esse esquema trabalhoso por um ou dois anos, mas aí apareceu o Napster e o formato MP3 se popularizou e... eu continuei gravando minhas fitinhas, agora sem me preocupar com interrupções.
Três coisas interessantes a comentar:
  • Eu tinha um Diskman que ganhei de aniversário uns anos antes, mas eu não tinha grana sobrando para comprar CD toda hora (quase nunca) e gravadores de CD estavam tão longe de mim quanto a construção das pirâmides do Egito, fora que o aparelhinho comia as pilhas mais rápido do que um Maverick V8 esvazia um tanque de gasolina e eu não tinha muita coragem de andar com ele no ônibus, porque... RJ.
  • As pilhas Duracell não vazavam iguais as de hoje e duravam pra caramba no walkman.
  • Antes do MP3, era praticamente impossível baixar músicas da Internet porque os arquivos eram enormes e a maioria dos computadores tinha a capacidade de armazenamento medida em megabytes ainda!

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